Quinta tirinha da Loreninha

Afinal, o que é ser socialista?
Eu descobri o socialismo com mais de 35 anos, divorciada e mãe de três filhos. Eu percebi que eu nasci em uma família socialista. E olha que nenhum deles sabia. Porque ser socialista é uma forma de se relacionar e estar no mundo que eu aprendi em casa.

Nós vivíamos na casa de minha avó e éramos muito pobres. Os mais velhos todos trabalhavam e entregavam os salários todos para a minha avó. Ela separava as despesas coletivas da casa e devolvia o que cada um precisava para as despesas pessoais. Vivíamos felizes.

Quando olho para a cidade, a quarta maior de Minas, uma lembrança especial me vem: a da Páscoa. Nunca tivemos dinheiro para estas datas que estimulam o consumo. Mas criança gosta, não é?
Bom, entrou para a família, um tio com situação financeira melhor. Ele adorava minha avó. Vovó pedia a ele, toda Páscoa, o maior ovo do mercado. Aí ela dividia em vários pedacinhos, embrulhava de novo no papel, fazia um bilhetinho bem carinhoso e dava um pedaço para cada neto e, é claro, ficava com um para ela também.

Penso que é assim que deve ser tudo na vida. Os que, por qualquer motivo, têm mais contribuem mais e cuidam, especialmente, daqueles que não têm. Não como caridade, mas como partilha, como reconhecimento de que todos devem ter o suficiente para a vida. É garantir vida com dignidade para todos e todas.
Ser socialista é reconhecer isso como um princípio, um valor moral. É defender a solidariedade, o direito ao tratamento igual e a condições de vidas dignas iguais. É reconhecer que a vida está acima do lucro.
Todo mundo que é trabalhador, já experimentou um pouco disso, vive um pouco como os socialistas.